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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lincoln - CRÍTICA

Todos os anos parece ser a mesma coisa. De cara, percebemos os filmes preferidos da Academia do Oscar. Esse ano, logicamente, não foi diferente. Argo ficou óbvio depois que o filme foi lançado. Já Lincoln, já ficou claro nas primeiras notícias sobre a produção.


Um filme enaltecedor da imagem americana, com uma figura importantíssima para eles, o semideus Abraham Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos. Esqueci-me de revelar que o filme é dirigido pelo “certinho” Steven Spielberg? Assim como foi com Martin Scorsese em “Os Infiltrados” e em “Hugo”. – Tudo isso, não me refiro a, automaticamente, ganhar a estatueta, mas, enfim, ser lembrado nas indicações.

Lincoln - Trailer

NOTA: 90
O roteiro é, sem dúvida, primoroso. Extremamente bem trabalhado, o roteiro consegue criar uma conversa política muito detalhada; nos seus mínimos detalhes. Ás vezes, eu até cheguei a ficar perdido na quantidade de códigos e informações políticas. Isso se torna um elogio, é claro.
O filme eleva toda sua cara emocional com as atuações realmente dignas de um Oscar. Daniel Day-Lewis está incrível como o presidente; calmo, solene, sempre sussurrando e na maioria das vezes olhando para baixo. Seu personagem interrompe algumas conversas inesperadamente com metáforas, histórias e piadas – vindas do roteiro belíssimo -, que no fim, sempre levavam a uma conclusão certinha dos problemas. A estatueta dourada já está estampada no seu próprio nome. Caso a academia não resolva premiá-lo, com certeza ela está mudando...
Sally Field dá um show à parte. Ela representa uma personagem um tanto confusa; ora satisfeita e certa do que está falando e fazendo, ora mergulhada nas lembranças e nas tristezas. Isso, além de tentar acompanhar a evolução do marido nos seus novos desejos de conquistas. Tommy Lee-Jones é o que há. Conhecido por interpretar papel de durão na maioria de seus filmes, aqui não faz diferente. Conciso e focado no que está fazendo, Tommy nos trás mais um personagem chatão, mas que prova não ser qualquer um. Seu trabalho nesse filme é de arrepiar até os fãs de Daniel Day-Lewis. O restante do elenco, Joseph Gordon-Levitt cumpre seu papel, ao lado dos memoráveis David Strathairn, de Spiderwick, e Jackie Earle Haley, do espetacularWatchmen. Considero esse elenco arrebatador, assim como o de Django Livre e Os Miseráveis.

A trilha de John Williams, no entanto, é calma e muito escondida – ninguém queriaSteve Jablonsky aqui, não é mesmo? -. Ela é solene; combina bastante com o clima do filme. Para mim, nada que lhe garantisse uma estatueta. Entretanto, depois da trilha apagada de “O Segredo de Brokeback Moutain” ter levado o prêmio em 2006, não duvido muito...
Steven Spielberg é outro nome interessante a ser estudado nesse filme. A sua presença não é mais extremamente perceptível. Por mais que aqui, ele consiga dirigir as cenas com êxito. A cena inicial me fez lembrar vagamente “O Resgate do Soldado Ryan”. Se Daniel foi um bom ator, deve pelo menos 30% à Spielberg. A movimentação calma das câmeras exerce uma boa ambientação, afinal, nada fica tão paralisado.
O filme é realmente muito bom, por mais que se torne pouco cansativo. A verdade é que Spielberg deve manter sua presença no cinema e no Oscar. A sua entrada nesse projeto foi mais que uma boa escolha, entretanto, ele não realizou a obra-prima de sua vida. – nem era sua obrigação.

Lincoln é um filme fiel e realista. Possui grandes chances de levar o maior prêmio na noite do dia 24 de fevereiro; ele é a minha aposta. Ele não é o filme a qual eu daria o prêmio, mas, depois de “Guerra ao Terror” e “O Discurso do Rei”, fica claro queLincoln transborda premiação. As coisas ainda podem mudar, é claro...

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