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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Oblivion - CRÍTICA


Joseph Kosinski, que antes fazia comerciais para jogos e tevês, destacando-se pelo uso da computação gráfica, teve o seu nome conhecido na indústria cinematográfica por, em 2010, realizar o ótimo Tron: O Legado. O filme, que ainda jazia dentro de sua área, foi um sucesso nas bilheterias e bastante apreciado pelos fãs do gênero, além de ser muito bem quisto pela crítica mundial.

Abrindo, dessa maneira, as portas para o novo cineasta poder realizar, futuramente, seus projetos mais pessoais e ambiciosos.

NOTA: 75 (Bom)
De tal modo, em meados de 2007, Kosinski desenvolveu um interessante conto sci-fi, de 12 páginas, chamado Oblivion, que, pouco tempo depois, foi publicado em forma de graphic novel pela Radical Publishing. Sendo elogiado pelos que puderam conferi-lo, gerando certo interesse. Assim, depois de expandir sua ideia, com a ajuda de Karl Gajdusek (Reféns) e Michael Arndt (Toy Story 3), apresentou o roteiro ampliado para sua produtora que aceitou na hora e decidiu investir alto no projeto. Além da caríssima produção, foram contratadas estelas consagradas como Tom Cruise Morgan Freeman para integrar o elenco. E, só pelo trailer divulgado, poderíamos notar o quanto audacioso seria essa nova empreitada.

Para melhor situá-los na aventura, a estória se passa em 2077, onde o planeta Terra teve sua superfície destruída, devido a confrontos com uma possível raça alienígena. Restando a humanidade viver numa colônia lunar, enquanto o Jack Harper (Cruise) é designando, junto a sua parceira Victoria (Riseborough), a cuidar da manutenção dos equipamentos de segurança. Titulados como Drones, responsáveis por exterminar qualquer habitante que ainda resida naquele orbe, chamados de “saqueadores”.
Sendo, o casal, comandados, através de chamadas de vídeo conferência, por uma estranha mulher de nome Sally - isso pelo comportamento demasiadamente afável para aquelas circunstâncias. E, mais tarde, depois de várias aventuras e lembranças, que fazem Jack querer respostas mais concretas do que, de fato, aconteceu naquele mundo, onde, numa dessas missões, o mesmo resgata uma astronauta, que pode mudar completamente o rumo da sua vida, por saber segredos do seu passado.

Talvez, não acreditando na capacidade do seu público, a fita começa com uma introdução da conjuntura atual do planeta, que soa extremamente expositiva e desnecessária. Já que, em vários diálogos, as mesmas informações são passadas novamente. No entanto, o diretor prende totalmente a atenção do espectador, no momento seguinte, por apresentar, através de planos totalmente abertos, o seu devastado mundo pós-apocalíptico e, ao mesmo tempo, futurista. A imensidão deserta, cercada por montanhas enormes, imprime perfeitamente a solidão e ameaça que ali reside. Fazendo com que de imediato a plateia já fique curiosa, atrás das respostas de todo aquele suspense aludido.
O diretor conta novamente com sua equipe de peso, de Tron: O Legado, no intuito de transformar seu romance original num épico, que seja comparado, não intencionalmente, à suas obras de referência, em filmes como A Última Esperança da TerraBlade Runner - O Caçador de Androides 2001 - Uma Odisseia no Espaço; no clássico literário de Dan SimmonsHyperion, ou mesmo em seriados de TV como Além da Imaginação. O grupo é formado pelo diretor de fotografia, e ganhador do Oscar, Claudio Miranda (As Aventuras de Pi) que aqui realiza mais um trabalho impecável em sua brilhante carreira. Com lentes bastante claras e que dão total destaque aos impressionantes efeitos visuais de Eric Barba (O Curioso Caso de Benjamin Button). Cada vez mais me espanto com o nível tecnológico que estamos.

A montagem de Richard Francis-Bruce (Harry Potter e a Pedra Filosofal) já não se mostra tão eficiente quanto os outros quesitos apontados. Mesmo sendo ela linear, acaba soando meio confusa, tendo que utilizar o velho recurso dos flashbacks, o que aqui não funcionam de maneira orgânica. Já a direção de arte, assinada por Darren Gilford (Idiocracia), é minimalista e impetra com êxito sua intenção de cunhar todo àquele abissal universo e o tornar crível. Assim como a trilha sonora da dupla Anthony Gonzalez e M.8.3, que com passagens oitentista, é moderna, mas também nos remete a uma época antiga, muito peculiar e que marcou uma geração.
O roteiro, apesar de ser bastante abrangente, do ponto vista temático, é de certo modo raso, por não conferir grandes debates filosóficos e possui alguns furos que incomodam e prejudicam o envolvimento do espectador, em relação à estória. Até mesmo no processo de identificação de personagem, por torna-lo quase um homem indestrutível. Já que Jack Harper é jogado de um lado para outro, cai em abismos, pula de naves, troca tiros e sofre apenas alguns arranhões. Excluindo toda e qualquer fragilidade física. Somente a emocional é bem trabalhada; o que não tira o mérito de Tom Cruise, já um cinquentão, esbanjar carisma e energia, e mais uma vez dominar em tela. O sujeito sabe viver um agente.
Os problemas mais graves do texto de Kosinski, estão, justamente, na principal sacada do longa.

Porém, se formos analisar de um modo geral, reparando não só na sua parte artística, mas também nos conceitos mais técnicos, podemos perceber que os prós são muito maiores que os contras. O título, detentor de um visual maravilhoso e recheado de referências aos clássicos do gênero ou mesmo de obras contemporâneas como LunarKosinski nos proporciona, outra vez, um trabalho sofisticado, do ponto de vista estético. Que mantém um ritmo eletrizante e que, mesmo com todos os defeitos encontrados no script, não ofende de forma alguma. Pelo contrário, é visto e reconhecido todo esforço de um conto interessante que, antes de tudo, tem pretensão de entreter, sem querer se vender como Kubrickiano.

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